Stargazer in Moonlight

Observador de estrelas ao luar

Ainda me lembro da noite de neve em que conheci o Snow. Estava enroscada numa caixa de cartão à porta de uma loja de conveniência, a sua pelagem branca misturava-se com os flocos que caíam, apenas os seus olhos verde-jade brilhavam sob a luz ténue. Durante doze anos, desde a licenciatura na faculdade de medicina até me tornar médica assistente, regressando a casa após longas cirurgias, encontrei sempre aquela silhueta branca à espera pacientemente na varanda iluminada pelo luar.

No outono passado, começou a resistir quando tentei escová-la. Durante um turno noturno, o meu vizinho ligou a queixar-se de miados insistentes. Correndo para casa, encontrei Snow a arrastar as patas traseiras paralisadas enquanto empilhava os meus chinelos perto da porta — o seu último «kit de emergência» para mim. O veterinário disse que ela tinha reunido as suas últimas forças para este último aviso.

No 99º dia sem neve, deparei-me com um caso especial. Uma doente de Alzheimer falava sozinha até que a sua neta trouxe um gato de feltro. "Feito por encomenda a partir de fotos antigas", disse, mostrando a criação da Feltque. "Agora a avó dorme a noite toda."

Nessa noite, abri finalmente o site da Feltque, que estava nos meus favoritos há algum tempo. Ao fazer o meu pedido, detalhei a curvatura única das pontas das orelhas da Snow, o movimento inconsciente da ponta da sua cauda e a pequena marca de queimadura na pata esquerda, fruto de uma traquinice da juventude.

Quando o pacote chegou, hesitei durante horas. Só quando o luar voltou a pratear a varanda, abri delicadamente a caixa de madeira. A gata branca sentada inclinou a cabeça como se perguntasse: "A cirurgia foi difícil hoje?". Os meus dedos trémulos encontraram o entalhe na sua orelha direita — uma recordação da sua disputa territorial com um gato de rua. A textura macia sob os meus dedos parecia tão familiar, como se o tempo tivesse recuado para inúmeras noites em que ela aconchegava o focinho na minha palma cansada.